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Federação dos trabalhadoes na agricultura familiar do Rio  Grande do Sul

“Construindo um futuro melhor para a agricultura familiar”

Federação dos trabalhadoRes na agricultura familiar do Rio Grande do Sul

“Construindo um futuro melhor para a agricultura familiar”

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O protagonismo da agricultura familiar na transição ecológica e no combate às mudanças climáticas

FETRAF-RS aposta em caminhos viáveis para produzir alimentos saudáveis com sustentabilidade e autonomia econômica no campo gaúcho

O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado neste 5 de junho, traz um alerta global urgente sobre a necessidade de transformação nas nossas formas de interagir com os recursos naturais. Diante de cenários climáticos cada vez mais extremos, a resposta para o equilíbrio planetário e para a segurança alimentar não está distante: ela nasce diariamente nas mãos das famílias agricultoras. Historicamente responsável por colocar a diversidade de alimentos na mesa da população, a agricultura familiar consolida-se, agora, como o elo central para uma transição ecológica massiva e necessária no campo.

Para a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (FETRAF-RS), debater o meio ambiente exige repensar o modelo de produção dominante. O atual sistema agroquímico e industrial tem cobrado um preço alto, resultando na degradação do solo, na perda de biodiversidade e na vulnerabilidade econômica das propriedades. De acordo com dados oficiais do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agricultura familiar é a base econômica de cerca de 80% dos estabelecimentos rurais do país, sendo essencial para mitigar os impactos ambientais através de manejos conscientes.

O Método SPDH+


Uma das apostas práticas da FETRAF-RS para responder a esse desafio estrutural é a difusão do método SPDH+, uma ferramenta de transição agroecológica que não propõe uma ruptura abrupta com a realidade do produtor, mas sim um caminho gradual e assistido do modelo convencional para o sustentável. O diferencial do método está no foco na saúde do solo, na biodiversidade e na autonomia das famílias.

A metodologia utiliza técnicas como o manejo de um mix de plantas de cobertura, que atuam na descompactação da terra, reciclagem de nutrientes e fixação biológica. O resultado prático é a regeneração biológica do solo, o que reduz drasticamente a dependência de insumos químicos e externos, protege a terra contra a erosão causada pelas chuvas e aumenta a resiliência das culturas diante de estiagens ou intempéries.

Conforme defende Douglas Cenci, coordenador-geral da FETRAF-RS, a discussão em torno da mudança nos processos produtivos é determinante tanto para a sustentabilidade ecológica quanto para a viabilidade financeira do trabalhador rural. “A transição do modelo produtivo é o caminho para o enfrentamento das mudanças climáticas e para garantir que o agricultor tenha renda e autonomia”, pontua.

Projeto Terra Solidária: Assistência na prática


Essa filosofia ganha escala por meio do Projeto Terra Solidária, uma iniciativa construída em rede pelo Instituto de Cooperação da Agricultura Familiar (ICAF) e pelas federações da agricultura familiar da Região Sul (FETRAF-RS, FETRAF-SC e FETRAF-PR), viabilizada através do edital Terra à Mesa do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

O projeto funciona em etapas articuladas de formação e encontros de sensibilização para engajar as famílias agricultoras. Através de oficinas práticas e assessoramento, técnicos, dirigentes e produtores passam por capacitações intensivas. Atualmente, centenas de famílias na região sul contam com essa articulação, transformando suas lavouras.

Além de regenerar os ecossistemas, o projeto foca no uso e na produção própria de bioinsumos, devolvendo ao agricultor o controle sobre o seu custo de produção e garantindo alimentos livres de resíduos tóxicos para os centros urbanos.

A sustentabilidade promovida pela agricultura familiar também redesenha as relações de consumo. Espaços de comercialização direta fomentados pela federação, como as Feiras da Agricultura Familiar promovidas em diversas regiões funcionam como canais essenciais para escoar essa produção limpa. Nesses locais, o intercâmbio cultural e econômico fomenta o consumo consciente, provando que é plenamente possível aliar inovação tecnológica, preservação da biodiversidade e segurança alimentar.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, as ações da FETRAF-RS demonstram que proteger a natureza não significa parar de produzir, mas sim aprender a produzir a favor da vida, garantindo o futuro da mesa de todos os brasileiros.

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