
As FETRAF’s do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, promoveram, nesta quarta-feira (11), um importante seminário sobre a transição do modelo produtivo da agricultura familiar. A atividade foi realizada no município de Seara-SC e reuniu dirigentes, agricultores, equipes técnicas e representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar em uma agenda de visitas a propriedades rurais e debates.
O principal objetivo foi apresentar ao poder público experiências concretas e bem sucedidas de Transição Sustentável do Modelo Produtivo a partir da implementação do método Sistema de plantio Direto de Hortaliças e Outras Culturas (SPDH+) e fazer o debate sobre ajuste e/ou criação de novas políticas públicas voltadas a Transição Sustentável, a fim de garantir uma produção com redução de custo, aumento da produtividade e da renda, saúde do sistema produtivo e do ambiente, adaptada e capaz de mitigar as mudanças climáticas e gerar qualidade de vida no campo. Participou do encontro o secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia do MDA, José Henrique Silva, que acompanhou de perto as iniciativas.
O SPDH+ é um método que ajuda as famílias agricultoras a transformar a forma de produzir, garantindo sustentabilidade ambiental, melhor resultado econômico e valorização do trabalho da agricultura familiar. Na prática, o método combina acompanhamento técnico, planejamento da propriedade, troca de experiências entre os agricultores, comunidade e técnicos, na implementação de um conjunto de técnicas, como o plantio no verde, cobertura de solo, nutrição de plantas e outros que são capaz de reduzir o uso de insumos, baixar custos, recuperar o solo, melhorar a produtividade e fortalecer a autonomia das famílias, criando condições para que as novas gerações permaneçam no campo.
As FETRAF’s da região Sul, apostam na transição do modelo produtivo como uma estratégia de desenvolvimento para toda a agricultura familiar. Essa aposta vem sendo trabalhada junto com 1000 famílias na região sul através de assistência técnica e acompanhamento para a implementação do método nas propriedades.
A primeira visita ocorreu na propriedade de André Lauermann, na Linha Sagrado Coração, onde os participantes conheceram a experiência da bovinocultura de leite aliada à sucessão familiar, com assistência técnica do projeto Da Terra à Mesa. André já implementa o método SPDH+ em sua propriedade há cerca de dois anos.
Na sequência, o grupo esteve na propriedade da família Bordignon, na Linha Encruzilhada Santa Cruz. A unidade produtiva reúne três gerações trabalhando juntas, com criação de gado de leite à base de pasto. Ao meio-dia, o almoço foi realizado no Eco Sítio Lindo, propriedade da família Cosmann, referência em produção orgânica de frutas, agroindustrialização de geleias, turismo rural e integração entre agricultura, arte e cultura.

Durante a visita às propriedades, o agricultor Gilson Bordignon relatou as mudanças percebidas após a adoção do método SPDH+. “A família percebeu que se usa bem menos venenos e também reduz bastante o custo de produção. Você consegue perceber que o solo vai se modificando ano após ano. É o segundo ano que a gente faz a implantação do plantio no verde e a gente vê pelas análises de solo que cada vez o solo está se regenerando, se recuperando.”
Para o agricultor, a continuidade desse processo depende de apoio permanente. “Nós, agricultores, temos que ter assistência técnica contínua, ano após ano. A gente tem o conhecimento, mas na dúvida, onde vamos buscar? Então tem que ter alguém que está no dia a dia nos auxiliando quando surgem algumas dúvidas.”
Também presente na agenda, o secretário José Henrique Silva avaliou de forma positiva as experiências acompanhadas nas propriedades. “Vimos os resultados apontados pelos próprios agricultores familiares, falando da redução de custo, da maximização da produtividade, a aplicação do método na essência, a preservação do solo, preservação da planta, preservação da água. Então nós do MDA voltamos convencidos para Brasília da necessidade de que a gente possa continuar apoiando, por exemplo, com o da Terra Mesa, que é um programa que tem apoiado já essa iniciativa aqui na região, mas também acoplar outras políticas públicas na estratégia.”
À tarde, o seminário contou com apresentação das experiências acumuladas na região Sul e um debate entre movimento sindical e governo federal sobre como ampliar e fortalecer políticas públicas que ampliem essa iniciativa que já demonstram resultados concretos nas propriedades.

Durante o diálogo, o secretário reforçou a importância da articulação entre governo e movimento sindical para ampliar o alcance do método. “O objetivo é fazer uma discussão sobre como a gente articula essas políticas públicas para melhor atender a nossa agricultura familiar. A gente tem a tecnologia na mão, tem um método comprovadamente adequado para a agricultura familiar, que a gente precisa agora é fazer com que mais agricultores familiares possam ter acesso. Então o MDA sai daqui com esse compromisso de pensar junto com as FETRAF’s, uma estratégia para que a gente possa avançar, escalar ainda mais o uso do SPDH+.”
O encontro foi encerrado com a reafirmação do compromisso de seguir construindo políticas públicas que tenham como base a realidade vivida pelas famílias agricultoras.
Para o Coordenador da Região Sul, Douglas Cenci, “o seminário foi exitoso e cumpriu com o objetivo de dialogar com o Governo Federal sobre a importância da Transição do Modelo Produtivo na Agricultura Familiar e de que é necessário avançarmos na adaptação e criação de novas políticas públicas para o campo.”




