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Federação dos trabalhadoes na agricultura familiar do Rio  Grande do Sul

“Construindo um futuro melhor para a agricultura familiar”

Federação dos trabalhadoes na agricultura familiar do Rio  Grande do Sul

“Construindo um futuro melhor para a agricultura familiar”

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FETRAF-RS define pauta estadual e federal para guiar negociações da federação durante o ano de 2026

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (FETRAF-RS) realizou, nos dias 4 e 5 de fevereiro, em Passo Fundo, um seminário para a construção da pauta de reivindicações para o ano de 2026. O seminário reuniu dirigentes e funcionários dos sindicatos filiados a fim de estabelecer um processo coletivo e representativo, trazendo de forma direta as demandas dos agricultores familiares.

A programação da atividade contou com quatro mesas de debate, iniciando com uma análise de conjuntura que contou com a participação de Quintino Severo, dirigente da CUT e Marcos Rochinski, Coordenador de Política Agrícola da CONTRAF-Brasil. Após, o tema abordado foram as mudanças climáticas, que foi conduzido pelo Doutor em Desastres Naturais, pela UNESP e integrante do Departamento de Gestão de Riscos da Defesa Civil do RS, Marcos Kazmierczak, que trouxe dados sobre sobre as mudanças climáticas a fim de qualificar o debate.

Marcos Kazmierczak ressaltou que as mudanças climáticas já provocam impactos profundos no Rio Grande do Sul e tendem a se intensificar até 2040, afetando diretamente a produção agrícola, especialmente a agricultura familiar. Segundo ele, “a ideia foi trazer um choque de realidade, mostrando o que já aconteceu, o que vai acontecer e como esse conhecimento pode contribuir para a construção de ações e pautas que fortaleçam a resiliência dos agricultores e orientem as negociações com os governos estadual e federal”.

Valdemar Arl, Doutor em Agroecologia contribuiu com o debate ao abordar a transição do modelo produtivo, tema central na estratégia da FETRAF-RS e apresentado como uma alternativa frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Fechando as exposições, Márcio Freitas, Doutor em Geografia e Professor na UFFS- Campus Erechim, trouxe provocações acerca do tema qualidade de vida e identidade da agricultura familiar.

O debate contou com momentos de discussão, trabalho em grupo e socialização das contribuições trazidas da base e das mesas temáticas. Ao final do seminário, a pauta foi consolidada com propostas que serão apresentadas aos governos estadual e federal, apontando estratégias para fortalecer a agricultura familiar e garantir sua capacidade de seguir produzindo alimentos para a população brasileira.

A pauta construída coletivamente ao longo do seminário foi organizada trazendo eixos prioritários, refletindo as principais demandas da agricultura familiar no atual contexto social, econômico e climático. Entre os pontos considerados prioritários estão o fortalecimento do Proagro; a criação de fundos e programas de mitigação dos impactos climáticos e pagamento por serviços ambientais; a ampliação do Pronaf Habitação; a implementação de um programa estruturado de transição do modelo produtivo; e a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem da Agricultura Familiar (SENAF).

A federação também elencou temas fundamentais para a permanência e a qualidade de vida no campo, como o enfrentamento à violência contra a mulher, o incentivo ao lazer, à cultura e à sucessão rural, investimentos em infraestrutura rural como internet, energia e estradas,  a abertura de editais voltados à promoção da qualidade de vida no campo, o fortalecimento de ações de promoção da saúde no campo, a ampliação de um auxílio complementar para aposentados dependentes, a isenção de impostos para máquinas adaptadas à agricultura familiar, a garantia do preço dos produtos, e o enfrentamento do endividamento no campo.

Douglas Cenci, Coordenador Geral da FETRAF-RS, destacou que a agricultura familiar enfrenta um período de profundas transformações e desafios estruturais. “Estamos vivendo um momento em que a agricultura familiar é pressionada pelas mudanças climáticas e por um modelo produtivo que não é justo, no qual a saúde, as condições de trabalho e de vida dos agricultores seguem sendo um grande desafio. Por isso, é fundamental construir pautas que garantam a sobrevivência da agricultura familiar e avançar, a partir do seminário, em um amplo processo de negociação para fortalecer nossas conquistas.”

A construção coletiva da pauta, além de expressar as reivindicações dos agricultores e agricultoras familiares, fortalece o movimento sindical e a luta representativa e coletiva. Para a dirigente Delma Zucco, esse processo é essencial para consolidar a unidade da categoria. “A gente não se fortalece cuidando cada um da sua casinha, mas cuidando todos de todos. Precisamos criar unidade na base, fortalecendo de baixo para cima, porque é de baixo para cima que a força se constrói. A identidade da agricultura familiar precisa estar presente e ser construída para que possamos avançar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.”

Para a FETRAF-RS, a pauta representa um instrumento estratégico de organização e luta política, reunindo demandas e novos desafios impostos pelas transformações sociais, econômicas e ambientais. A partir da elaboração muitas políticas públicas importantes já foram consolidadas sendo que estas foram e são fundamentais na melhoria da qualidade de vida no campo. A entidade reforça que o fortalecimento da agricultura familiar é essencial para garantir produção de alimentos saudáveis, geração de renda no campo e desenvolvimento sustentável para o Rio Grande do Sul e para o Brasil.

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