
Nesta terça-feira (10), dirigentes da Federazione Lavoratori Agro Industria, (FLAI-CGIL) realizaram uma visita à região do Alto Uruguai, no município de Erechim. A atividade faz parte de um intercâmbio realizado pela federação italiana no Brasil, que vem fazendo um roteiro por diversas cidades do estado, resultado de uma parceria que vem sendo construída junto a CUT-RS e a FETRAF-RS.
A FLAI é uma federação italiana ligada à CGIL e representa agricultores, agricultoras e trabalhadores da indústria de alimentos. A federação também atua no apoio a políticas voltadas à produção social e ambientalmente sustentáveis com respeito ao meio ambiente e à terra em que os alimentos são produzidos.
A visita tem como objetivo conhecer o sistema agroalimentar, a agricultura e a indústria de processamento no Brasil. A programação iniciou na propriedade do agricultor e Coordenador da sede municipal de Erechim do SUTRAF-AU, Adilson Szady.
O encontro buscou discutir os problemas da agricultura convencional, que, diante das mudanças no cenário socioeconômico, político e, principalmente, das mudanças climáticas, se mostra defasado e com óbices à continuidade da produção. Nesse sentido, a FETRAF-RS trouxe a experiência que vem realizando junto às famílias agricultoras em relação a transição do modelo produtivo através do método SPDH+.
Essa apresentação vem com intuíto de demonstrar que processos de transição do modelo produtivo podem beneficiar os agricultores e agricultoras familiares e dinamizar a produção, sendo um ótimo exemplo para expansão da sua implementação. O SPDH+ tem como objetivo aumentar a produtividade e renda, através de técnicas que garantam maior resiliência frente os eventos climáticos extremos, que são cada vez mais presentes, menor dependência de insumos e maior autonomia dos agricultores e agricultoras nas propriedades.

Para o coordenador-geral da FETRAF-RS, Douglas Cenci, a visita foi um momento importante de troca de experiências entre as organizações. “Durante esses dias, tivemos a oportunidade de compartilhar experiências da agricultura familiar brasileira, especialmente os desafios e avanços na transição do modelo produtivo, além de promover uma troca importante de conhecimentos com os companheiros da Itália.”
Já o dirigente da FLAI-CGIL, Andrea Coinu, ressaltou que a visita ao Rio Grande do Sul permitiu conhecer de perto experiências da agricultura familiar brasileira. “Esses dias no Rio Grande do Sul nos permitiram compreender que é possível reorganizar a agricultura com boa produção, respeito ao meio ambiente e valorização das pessoas que trabalham no campo.”
Após, a delegação visitou a Cooperativa Nossa Terra, que atualmente conta com mais de 3000 agricultores familiares, 18 cooperativas associadas e mais de 50 agroindústrias. A cooperativa auxilia os agricultores e agricultoras na agroindustrialização e é um exemplo de como iniciativas coletivas podem abrir espaço para a agricultura familiar em mercados geralmente dominados por grandes empresas. Por meio da organização e da articulação coletiva, os agricultores conseguem ampliar sua competitividade e acessar novos canais de comercialização, fortalecendo a economia solidária e garantindo mais dignidade e valorização para quem produz no campo.

À tarde foi realizada uma conversa entre os dirigentes da FLAI-CGIL e da FETRAF-RS sobre a atuação sindical da agricultura familiar no Brasil e na Itália. Durante o diálogo, foi destacado o papel da articulação internacional entre organizações de trabalhadores e trabalhadoras do campo, fortalecendo a troca de experiências, a construção de estratégias comuns e a defesa de condições dignas de trabalho e produção na agricultura. O dia foi finalizado com uma visita ao município de Estação, onde a delegação irá dialogar com trabalhadores das indústrias de alimentação.
Cenci também destacou a parceria entre as organizações sindicais dos dois países. “A parceria entre a FETRAF, a FLAI e as centrais CUT e CGIL já vem de muito tempo. Temos muitos desafios em comum, mas também muito trabalho a fazer juntos para construir um futuro melhor para a classe trabalhadora, no Brasil, na Itália e em todo o mundo.” destacou.
“Voltamos para casa com a certeza de que não estamos sozinhos na construção de um novo modelo produtivo. Temos aliados do outro lado do mundo que pensam como nós e trabalham por uma agricultura sustentável e pela soberania alimentar.” completou Andrea.



