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Federação dos trabalhadoes na agricultura familiar do Rio  Grande do Sul

“Construindo um futuro melhor para a agricultura familiar”

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Mix de plantas de cobertura ampliam resultados da transição do modelo produtivo nas propriedades rurais

Diversificação de espécies integra o método SPDH+ e atua na recuperação do solo, resiliência, redução de custos e equilíbrio do sistema produtivo

A diversificação de plantas nas áreas de cultivo tem ganhado espaço entre agricultores que participam do projeto Terra Solidária e outras iniciativas de transição do modelo produtivo desenvolvido pelo Instituto de Cooperação da Agricultura Familiar do Brasil e pelas Federações dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (FETRAF’s) da Região Sul. Após a etapa inicial de diagnóstico do solo, com análise e avaliação de perfil, o uso de mix de sementes de cobertura surge como uma das estratégias práticas dentro método SPDH+ para dar sequência ao processo de transição produtiva nas propriedades.

Conhecido também como “coquetel de plantas”, o método aposta na combinação de diferentes espécies na mesma área, com o objetivo de recuperar o ambiente de produção e reduzir a dependência de insumos externos. Segundo o técnico em Agropecuária, Joel José Tomazi, a proposta parte de uma mudança de lógica no campo. “A gente não olha mais só para o solo, mas para o sistema de produção. E, no centro de tudo isso, está a planta”, resume, ao destacar que as plantas têm papel central na manutenção da vida no campo, ao sustentar a cadeia de organismos presentes no solo.

A prática se diferencia do modelo tradicional baseado em monoculturas. “O que compactou o nosso solo e empobreceu ele de nutrientes foi o uso de uma planta só e a morte da vida do solo. Com a introdução de diferentes espécies, a intenção é reconstruir um ambiente mais equilibrado. Quanto mais plantas você consegue pôr num mix, mais você diversifica esse processo, tanto na parte da palhada quanto na quantidade e diversidade de raízes”, explica.

Redução de custos, resiliência, melhora do solo e maior margem ao produtor

Entre os efeitos diretos está a formação de cobertura vegetal sobre o solo, que ajuda a conservar a umidade e reduzir a incidência de plantas espontâneas. “Se a gente consegue fazer palhada, impede que a luz chegue ao solo e essas plantas não germinem, o que também reduz o custo de produção”, destaca, ao complementar que a diversificação também contribui para diminuir o uso de insumos. “Você deixa de usar herbicida, diminui o uso de adubos e ainda acelera o desenvolvimento inicial da cultura”, relata.

Conforme Joel, o impacto do uso do mix de sementes aparece também no resultado econômico das propriedades. O sistema pode garantir melhor margem ao produtor. “O agricultor vai vender pelo mesmo preço, mas o custo de produção dele é menor, então sobra mais”, afirma. Ele cita casos em que a diferença está justamente na relação entre custo e risco. “Tem famílias sobrando 110 sacas de milho por hectare, produzindo 170. O outro produziu mais, mas sobrou menos e com um risco muito maior”, compara.

A introdução das plantas de cobertura também garantem maior resiliência frente as mudanças climáticas. A presença das plantas de cobertura em 100% do tempo garante a preservação de mais umidade no solo em períodos de estiagens, e também evita que nutrientes presentes no solo sejam lixiviados diante de chuvas fortes. Além disso, essa diversidade de plantas, com sua rica trama de raízes, possibilita maior absorção e retenção de água no solo. Com o indicativo de que teremos cada vez mais perídos de calor exessivo, estiagens e chuvas intensas em um período de tempo menor é importante que tenhamos um sistema preparado.

De acordo com Tomazi, o interesse por esse novo modelo tem crescido, inclusive entre médios e grandes produtores, impulsionado pela redução de custos e pela menor dependência de insumos externos. “É um método que melhora a saúde do ambiente de produção e também da família, porque reduz o contato com produtos químicos”, observa.

Apesar do avanço, a ampliação da prática ainda depende de organização e difusão de conhecimento. “O maior problema está na capacidade de organizar e motivar as pessoas para entender e aplicar esse processo”, avalia. A expectativa é de que, com a continuidade das ações do projeto, o sistema se consolide como alternativa viável para uma produção mais equilibrada. “É possível produzir no campo com saúde, com alimentos mais saudáveis e com qualidade de vida para as famílias”, conclui.

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