Fone: (51) 99323-1715 | E-mail: fetraf@fetrafrs.org.br

Federação dos trabalhadoes na agricultura familiar do Rio  Grande do Sul

“Construindo um futuro melhor para a agricultura familiar”

Federação dos trabalhadoRes na agricultura familiar do Rio Grande do Sul

“Construindo um futuro melhor para a agricultura familiar”

Search

Conhecimento do solo é etapa decisiva no processo de transição produtiva na agricultura familiar

Análise e avaliação do solo e do perfil do solo são ferramentas essenciais para orientar a implantação do método SPDH+

O diagnóstico do solo tem sido uma das etapas estratégicas do processo de transição produtiva desenvolvido junto às propriedades rurais participantes do projeto Terra Solidária. A iniciativa é realizada em rede pelas Federações dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul e Institutos, com foco na qualificação da agricultura familiar e na construção de sistemas mais sustentáveis de produção. Dentro desse contexto, a análise do solo e a avaliação do perfil do solo são apontadas como ferramentas essenciais para orientar a implantação do método SPDH+ e outras práticas agroecológicas.

A explicação é da dirigente da FETRAF-SC, Dalvana Cordazzo, formada em gestão ambiental e aluna da pós-graduação em SPDH+, em Rio do Sul. Segundo ela, o primeiro passo é conhecer detalhadamente a realidade da área produtiva. “A análise do solo e a avaliação do perfil do solo são duas ferramentas fundamentais para iniciar corretamente um sistema de manejo mais sustentável”, afirma. Enquanto a análise laboratorial apresenta informações sobre fertilidade química, como pH, matéria orgânica e nutrientes, o perfil do solo permite enxergar a estrutura física e biológica diretamente no campo. “A análise mostra a parte química; o perfil ajuda a entender a parte física e biológica”, resume.

Dalvana destaca que esse diagnóstico inicial permite corrigir limitações antes da implantação do sistema. “Em alguns casos, pode ser necessário fazer calagem, adubação de correção ou até uma intervenção mecânica inicial para resolver compactação ou outro problema estrutural”, explica. O objetivo é realizar esse ajuste no começo para, depois, manter o solo sem revolvimento, com cobertura permanente, rotação de culturas, adubação verde e plantio sobre a palhada. “A ideia é fazer esse convencional bem feito no início, para depois não precisar mais revolver o solo”, pontua.

Ela reforça, no entanto, que esse acompanhamento não deve ocorrer apenas no início. “A análise do solo e o perfil do solo são ferramentas contínuas. A partir delas, a gente vai vendo a melhoria do solo e construindo um histórico da área sobre como ele está se comportando com o método”, afirma. Esse monitoramento também ajuda a dimensionar melhor o uso de bioinsumos e outras estratégias de manejo. “Quando tu conhece o solo, tu consegue ajustar inclusive a quantidade de adubos e outros aspectos do processo”, acrescenta.

Ainda segundo Dalvana, todo o sistema está interligado. O conhecimento do solo influencia diretamente as próximas etapas, como a escolha e o desempenho das coberturas verdes. “Uma coisa vai falando com a outra”, resume. Nesse modelo, as plantas de cobertura ajudam a estruturar o solo, melhorar a infiltração da água, alimentar a microbiologia e devolver matéria orgânica ao sistema. O resultado é um processo que reduz custos, diminui a dependência de máquinas e fortalece a autonomia da agricultura familiar, com foco em um sistema produtivo mais estável e sustentável.

Deixe um comentário