Visita da coordenadora da Fetraf à Itália é pontapé inicial para criação de escritório de acolhimento de imigrantes na CUT/RS

Por Assessoria de Imprensa
Publicada em 23 de março de 2016


A missão, entre os dias 14 a 18 de março, da coordenadora da Fetraf-RS e diretora de políticas sociais da CUT/RS, Cleonice Back, representando a central na Itália, juntamente com a funcionária Eliomara de Moraes, marcou a aproximação da entidade com o Instituo Nazionale Confederale di Assistenza (INCA) e a Câmara Del Lavoro Metropolitana Dio Bologna (CGIL), e deve ser o pontapé inicial para a implementação de um escritório de assistência aos imigrantes estrangeiros no Brasil, na sede da CUT/RS.

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Ao longo de uma semana Cleonice e Eliomara visitaram centros de acolhimento aos imigrantes, na Província de Bolonha, e conheceram o trabalho do Inca e CGIL com os estrangeiros. De volta ao Brasil, as duas têm a tarefa de repassar as experiências e aprendizado à Central para, a partir daí, iniciar o processo de criação do escritório de apoio na CUT, cujo acordo de cooperação foi assinado ainda em 2015, entre a central e as duas instituições.

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Na foto, um centro de acolhimento de imigrantes

A diretora Cleonice Back explica as principais ações a serem operacionalizadas no curto prazo. “Iremos relatar o trabalho do Inca e CGIL para os dirigentes e após, a central fará oficinas com as federações filiadas. Ainda, a funcionária Eliomara realizará um treinamento no Inca de São Paulo. Depois disso, inicia-se o processo de criação do escritório, que deve começar a operar ainda este ano”, conta.

O objetivo é que o espaço seja um ponto de referência de informações aos imigrantes no Brasil, e que ofereça apoio para o suprimento de necessidades básicas como capacitação, encaminhamento ao mercado de trabalho, documentação, entre outros.

Combater a exploração do trabalho e adequar a legislação brasileira

Para Cleonice, o tema da imigração é um problema que o Brasil não está tratando, e que necessita de ações urgentes. Para ela, são duas as questões estratégicas que devem ser focadas: a exploração do trabalho e a legislação. “Os imigrantes vivem em situação deplorável e sofrem exploração laboral. Ou vamos enfrentar e não permitir essa degradação, ou teremos a precarização do trabalho de todos, inclusive dos brasileiros”, alerta.

Ela pontua que os estrangeiros, por extrema necessidade, se submetem às mais precárias condições de emprego e que tal situação, influencia, de forma negativa, para os trabalhadores brasileiros. “Muitas empresas precarizam cada vez mais o trabalho, explorando os imigrantes, que não têm outra alternativa, e com isso, os brasileiros também são afetados pois os empregos ficam cada vez mais desfavoráveis para todos”, afirma Back.

A alteração na legislação brasileira é o segundo gargalo apontado por Cleonice. A dirigente lembra que atualmente, pela legislação, o estrangeiro não tem direito de associação sindical. “Para que possamos incidir de forma mais assertiva no combate à exploração nas relações de trabalho, precisamos avançar nesse tema e para tal, necessitamos do engajamento de todas as federações e sindicatos pois essa luta é além de tudo, humanitária”, enfatiza.

Uma realidade triste que é amenizada pelo trabalho de acolhimento

No decorrer dos cinco dias as duas representantes da CUT/RS conheceram de perto uma realidade chocante, geralmente apenas visibilizada pela mídia, a qual se defrontam os imigrantes em terras estrangeiras. No entanto, o trabalho de acolhimento e apoio, prestado pela CGIL, a maior central sindical da Itália, e o Inca, uma instituição privada que através de recursos governamentais presta serviço de assistência social, econômica e de saúde no país, atenua um pouco esse contexto assombroso.

Com 900 escritórios espalhados pela Itália é o Inca a entidade que realiza o primeiro contato e acolhimento aos imigrantes. “Eles chegam perdidos, sem saber a língua, a cultura do país, sem documentos e sem ter para onde ir. Muitos nem chegam pois morrem pelo caminho. Uma boa parte dos que se salvam das grandes travessias, são explorados sexualmente e economicamente. A situação deles é caótica”, lamenta Cleonice, ao narrar a visitação aos centros de acolhimento. No momento em que entram no país, o Inca os acolhe com objetivo de garantir-lhes cidadania. Esse trabalho abrange desde a documentação, avaliação de saúde, apoio psicológico, qualificação para o mercado de trabalho, ensino de línguas até roupa e estadia. Lá os imigrantes permanecem em média dois anos.

20160318_123246Quando eles já se encontram acolhidos e geralmente trabalhando, é que entra o papel fundamental de assistência da CGIL. A entidade oferece assessoria e encaminhamento para serviços previdenciários, avaliação médica, garantia de direitos dos imigrantes em acordos coletivos de trabalho, inclusão nas políticas públicas, além de fiscalizar as relações de trabalho. Como forma de retribuição, os estrangeiros contribuem, voluntariamente, para a CGIL com 1% da sua remuneração.

De acordo com a dirigente Cleonice, um fato que chama a atenção é o perfil dos imigrantes. A grande maioria é jovem, com idade entre 20 e 30 anos. Na Itália, a cada 25 estrangeiros que chegam, 24 estão em idade ativa. “Para as nações, assim como a Itália, que em breve terão a maioria da população envelhecida, a questão da imigração oferece, também, uma perspectiva de mão-de-obra que pode contribuir muito no desenvolvimento do país”, ressalta.

Back, evidencia que será necessário, no Brasil, uma grande conjugação de esforços para atuar no acolhimento e proteção dos imigrantes. “Precisaremos construir parcerias entre central, federações, sindicatos, igrejas, entre outros, para dar conta desse trabalho, tão fundamental”, diz. Ela relembra que o nosso país muito se desenvolveu com a chegada dos imigrantes e que agora novamente precisamos acolhe-los e oportunizar condições de dignidade e cidadania.

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