Projeto executado pelo Sutraf-AU promove a recuperação da bacia hidrográfica de Erechim

Por Assessoria de Imprensa
Publicada em 24 de março de 2015


A escassez de recursos hídricos expõe à população mundial um cenário alarmante. De acordo com a ONU cerca de 748 milhões de pessoas não têm acesso a água potável e 2,5 bilhões a saneamento básico. Na cidade de São Paulo a crise hídrica já revela as consequências da falta de cuidado com esse recurso. Na agricultura, a água pura também é rara e, a erosão e contaminação por agrotóxicos ameaçam a saúde humana. O fato é que sem esse bem preciso o planeta está ameaçado. Nesse sentido, cabe a cada cidadão e entidade contribuir localmente para reverter a situação.

 E é nessa direção que uma ação voltada para recuperação da bacia hidrográfica dos rios Campo, Leãozinho e Ligeirinho no Município de Erechim, começa a transformar a realidade local. Trata-se do Projeto CALELI, uma iniciativa do Sindicato Unificado dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Alto Uruguai (Sutraf-AU) executado em parceria com a Prefeitura Municipal por meio das Secretarias do Meio Ambiente e da Agricultura, com objetivo de melhorar qualitativamente e quantitativamente a água da bacia hidrográfica. O projeto que iniciou em novembro de 2014 e se estende até maio de 2016 beneficia cerca de 60 famílias de agricultores familiares ribeirinhos e já trás os primeiros resultados.

Na primeira fase foram realizadas visitas de conscientização aos agricultores para a preservação dos recursos e levantamento da situação ambiental das propriedades. A segunda etapa, em execução, é marcada pela realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e, pelo enquadramento das áreas na nova legislação ambiental. O cronograma prevê o plantio de árvores nas margens dos rios, construção de fossas cépticas e pontes de passagens para animais e máquinas. Também, contempla mutirões para recolhimento de lixo e realização de cinco oficinas de sensibilização e capacitação dos agricultores. A importância da mata ciliar, o uso correto do solo e a utilização de frutas silvestres nas margens dos rios como alternativas de renda, são algumas das temáticas dos cursos que serão ministrados para as famílias participantes.

“ Esse é um projeto pontual, por contemplar o nível local e a realidade da agricultura familiar, mas propõe uma nova lógica de preservação do meio ambiente á medida que usa recursos financeiros do pagamento da água, feito pela população urbana e, divide a responsabilidade da preservação com todos que usufruem dela” destaca o coordenador do Sutraf-AU, Douglas Cenci. A iniciativa também evidencia a possibilidade e necessidade do sindicalismo rural expandir sua atuação. “O sindicato tem que atender todas as demandas da agricultura familiar e, a questão da sustentabilidade é uma delas. Esse é o papel do sindicalismo: ser protagonista também no campo social e ambiental e, inclusive envolver outros atores da sociedade para participarem, como é o caso do CALELI”, ressalta Cenci.

Para Andreia Carla Cechet, uma das Gestoras Ambientais do projeto, o diferencial dele está na sua abrangência. “Ele contempla a preservação desde a nascente do rio até as propriedades e, além disso, ainda atua na conscientização das pessoas, na viabilização de alternativas de renda, bem como, no esclarecimento da legislação ambiental, que é muito pouco conhecida”, pontua. Uma das marcas da ação é o envolvimento de toda a comunidade. Escolas, universidades, institutos de educação e Emater, participam ativamente da execução das ações. 

O projeto é subsidiado pelo Fundo Municipal de Gestão Compartilhada em parceria com a Corsan local e tem um aporte de recursos no valor de R$ 389 mil, valor esse, oriundo do pagamento das contas de água por parte da população urbana. O Sutraf-AU tem contrapartida de R$ 41 mil e a prefeitura de Erechim participa com mais R$ 65 mil. Já, os agricultores têm o comprometimento apenas com a mão-de-obra. 

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