Informativo. 44º edição. Junho de 2016.

Por Assessoria de Imprensa
Publicada em 2 de junho de 2016


Em conferência nacional de Ater, Fetraf defende a volta do MDA e o fim do governo golpista

A Fetraf participa desde a última terça-feira (31), da 2ª Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária (2ª CNATER), em Brasília. Delegados dos 18 estados de abrangência da federação debatem até amanhã (03), a importância da participação social no processo de formulação das políticas públicas voltadas para o campo, florestas e águas do Brasil. Pela Fetraf-RS participa a delegada Marivone Tavares, membro da direção e representante da região Sul do estado.

Com o lema “Ater, agroecologia e alimentos saudáveis”, a Conferência tem o objetivo de estabelecer estratégias e ações prioritárias para promover a universalização da Ater pública e de qualidade aos agricultores/as familiares do Brasil, visando ampliar a produção de alimentos para todos. São três os grandes eixos temáticos em discussão: Sistema Nacional de ATER – Fortalecimento Institucional, Estruturação, Gestão, Financiamento e Participação Social; Ater e Políticas Públicas para a Agricultura Familiar e Formação e construção de conhecimentos na ATER.

Além de participar dos debates, a Fetraf apresentou as experiências da entidade com a assistência técnica e extensão rural no Brasil. Nesse sentido foram expostos casos de êxito da assistência técnica para os beneficiários do crédito fundiário e também envolvendo a formação para o campo. O coordenador da Fetraf-Brasil, Marcos Rochinski, enfatizou a necessidade e importância da assistência técnica para o desenvolvimento da agricultura familiar.

Outro tema que marca o evento é o repudio ao atual governo interino e à extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário. “Não reconhecemos esse governo golpista e repudiamos a extinção do MDA, que coloca em risco todas as políticas públicas já conquistadas pela agricultura familiar. Não admitiremos nenhum retrocesso”, disse Rochinski. Ele afirmou ainda, que a defesa do direito à democracia é fundamental para o enfrentamento ao conservadorismo e a invisibilidade das políticas rurais.

O ex-ministro do MDA, Patrus Ananias, disse o governo Dilma avançou nas políticas de fomento aos agricultores familiares. “Desenvolvemos diversas políticas para o melhor desempenho da população no campo, entre eles os avanços no âmbito do plano de sucessão rural e de juventude, não podemos deixar o que nós conquistamos juntos acabe, aquilo que achávamos que era pouco ainda pode avançar”, falou.

A 2ª CNATER é uma realização do extinto Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) sob a coordenação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf) e se insere na estratégia de fortalecimento de espaços e formas de diálogo e participação social, que vem sendo desenvolvida nos últimos anos pelo Governo Federal. A conferência envolve, em todo o processo, representações das diversas instâncias de governo e a sociedade civil.

Amanhã (03), no encerramento da Cnater, será aprovada a carta final com as propostas da conferência. Está previsto ainda, a realização de um ato público em repúdio ao fim do MDA.

Vacinação contra a aftosa é prorrogada

A vacinação contra a febre aftosa foi prorrogada, no estado,  até o dia 17 de junho. O comunicado foi feito pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação, que acatou a solicitação do Ministério da Agricultura (Mapa).

A prorrogação atende a reivindicação de municípios da zona sul, que devido aos problemas extremos de locomoção por causa das dificuldades de trafegabilidade das estradas e deslocamento para manejo dos bovídeos, por causa das fortes chuvas, não conseguiram imunizar a totalidade do rebanho.

Como o MAPA entende que este procedimento deve ser efetuado para todo o Estado e não para apenas uma região, está autorizando a prorrogação para todo Rio Grande do Sul.

Constantina e Ibiaça empossam novas direções

Na última terça-feira (31), dois sindicatos da agricultura familiar (Sintrafs) associados à Fetraf-RS realizam ato de posse das novas direções eletivas. As assembleias ocorreram em Constantina e Ibiaça.

No município de Constantina mais de 200 agricultores familiares e lideranças de diversas entidades prestigiaram a posse da nova direção, que tem como presidente o dirigente Gelson Polaquini. Ele destacou como principais desafios para os próximos três anos de mandato, a manutenção dos direitos já conquistados pelos agricultores familiares. Após a cerimônia, aconteceu um jantar de confraternização.

O sindicato de Constantina tem mais de mil associados e se destaca pelo intenso trabalho com foco na organização da produção, por meio da cooperativa de agricultores familiares. Ainda, merece destaque a atuação do Coletivo de Mulheres , que tem importante trabalho com a manipulação e comercialização de plantas medicinais. Igualmente, o Coletivo de Jovens é outra instância de significativa relevância pelo espaço proporcionado para a juventude debater e deliberar sobre suas demandas.

Em Ibiaça, a posse da nova diretoria também foi realizada na última terça-feira (31), com a presença de agricultores, entidades e lideranças locais. O coordenador reeleito, Nilvo Cecchin, enfatizou que a principal pauta dos próximos três anos, período da vigência do novo mandato, será a da manutenção das políticas públicas e da previdência social dos agricultores familiares. Na ocasião do evento, aconteceu também a entrega de um cheque da Cáritas para o coletivo de Mulheres, com objetivo de fomentar o trabalho com ervas e plantas medicinais.

O Sintraf de Ibiaça tem mais de 900 sócios e se destaca pela atuação voltada para a organização da produção, com incentivo para comercialização dos agricultores familiares em feiras e eventos locais. Da mesma forma, o Coletivo de Mulheres distingue-se pelo constante debate em torno das demandas das agricultoras familiares e da construção de alternativas de renda e qualidade de vida no campo.

Projeto Ambiental do Sutraf-Alto Uruguai recebe premiação

O projeto ambiental “Caléli” foi premiado na última segunda-feira (30), pelo Poder Público Municipal de Erechim, em reconhecimento ao mérito das ações e do resultado alcançado. Na oportunidade, o Sindicato Unificado dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Alto Uruguai (Sutraf-AU) e os demais parceiros do projeto, receberam, em sessão especial da Câmara Municipal de Vereadores, o Prêmio “Sergio Macagnini”, que há 10 anos reconhece as melhores práticas de preservação ambiental do município.

Para o coordenador do Sutraf-AU e membro da direção da Fetraf-RS, Douglas Cenci, o prêmio é um reconhecimento do trabalho realizado e do êxito dele. “Nós da agricultura familiar sempre tivemos uma relação muito estreita com a natureza e o projeto prova que é possível aliar a preservação com o desenvolvimento”, pontua. Cenci destaca ainda que, para o sindicato, que é o promotor do projeto, o prêmio é de suma importância pois legitima que o papel dos sindicatos agrega também a sustentabilidade ambiental.

Lançado em 2014, com o objetivo de preservar a qualidade, quantidade e regularidade da água para seus diversos usos, como o abastecimento público da população de Erechim, o projeto Caleli desenvolveu ações de conscientização, proteção e recuperação ambiental da vegetação ciliar, nas bacias hidrográficas dos rios do Campo, Leãozinho e Ligeirinho.

O ineditismo e diferencial da iniciativa, conforme Douglas Cenci, está nas diversas ações práticas, tais como a recuperação do solo, plantio de árvores, construção de pontes sobre os rios, recolhimento dos resíduos sólidos ao longo dos mananciais, desde a nascente dos rios até as propriedades rurais. Além disso, foram realizadas oficinas de conscientização ambiental, visitas às escolas e diversas ações de comunicação, com o intuito de sensibilizar a população para a preservação da água.

Previsto para encerrar em agosto deste ano, o Caléli beneficiou diretamente sessenta e quatro famílias de agricultores familiares, oitenta propriedades, sendo os beneficiados indiretos, toda a população de Erechim. Promovido pelo Sutraf-AU em parceria com Prefeitura Municipal e Fundo Municipal de Gestão Compartilhada, Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), Universidade Regional Integrada (URI), Instituto Federal Do Rio Grande Do Sul (IFRS) e EMATER/RS-ASCAR, o projeto teve um orçamento total de R$ 505 mil.

De acordo com Douglas Cenci, a expectativa do Sutraf é dar continuidade, lançando uma segunda fase do Caléli. “Os agricultores familiares receberam muito bem o projeto e se envolveram com ele, através das ações práticas. O reflexo desse êxito são as novas demandas que já temos. Mais de sessenta novas famílias já manifestaram interesse em participar de uma nova etapa, comenta o coordenador.

Captação de leite cai e preços internacionais devem complicar o mercado lácteo no segundo semestre

Segundo o Índice de Captação do Leite (ICAP-L/Cepea) a redução da captação do primeiro semestre de 2016, é a maior dos últimos 10 anos. Considerando a média Brasil (formado por 7 estados produtores), desde dezembro de 2015 até abril de 2016 registrou-se uma queda da captação de 7,54%.  O Sul continua registrando as maiores baixas na captação. No Paraná, a redução foi de 7,65%, em Santa Catarina, de 5,93% e no Rio Grande do Sul, 5,60%. Na sequência vieram Goiás 4,87%, São Paulo 5,63% e Minas Gerais 4,94%. Somente na Bahia houve estabilidade na produção.

Vejam a gravidade da situação, somente no sul do país, PR, SC e RS a queda da captação do leite foi de 19,18%! E a situação tende a se agravar, uma vez que o inverno está apenas começando, quando tradicionalmente a produção de leite cai devido às baixas temperaturas que secam os pastos e consequentemente afetam o potencial produtivo das vacas. No inverno a dependência de ração e silagem é altíssima, entretanto com estes preços do milho e da soja, o produtor não terá como arcar com estes custos, forçando ainda mais as quedas na captação.

Este cenário deveria fazer com que os preços do leite subissem ainda mais. Porém temos um fator preocupante e limitante para isto acontecer, que são os preços internacionais do leite.

Preços Internacionais

O Brasil tem dificuldades de exportar o excedente da nossa produção e consequentemente “enxugar” o mercado. Porém a indústria não tem dificuldade nenhuma de comprar leite em pó dos tradicionais países produtores de leite quando os preços atingem patamares inferiores à oferta do produto nacional.

O atual comportamento das cotações internacionais dos lácteos tem estimulado as importações por empresas brasileiras. Entre janeiro e abril deste ano, os volumes de lácteos importados somaram 427 milhões de litros equivalente leite, 31% acima dos 326 milhões de litros de igual período de 2015, conforme dados da Secex – Secretaria do Comércio Exterior.

As consultorias internacionais em lácteos afirmam que a produção mundial de leite deve avançar. Pelos cálculos 1% a 2% na Europa e 0,5% a 1% nos EUA. Já o consumo mundial de leite tende a diminuir, devido o recuo da demanda da China, que vem reduzindo suas importações de lácteos desde o ano passado. Outro importador relevante, a Rússia, também tem demandado menos. Já a consultoria Milk Point ressalta em seus relatórios sobre os elevados estoques mundiais. Apenas citando os estoques de leite em pó desnatado, denota-se níveis elevados na UE, o que também pressiona o mercado. Em outubro de 2015, eram 51 mil toneladas em estoques. Um ano antes, Outubro de 2014 os volumes estocados somavam 12 mil toneladas no bloco.
O aumento das importações chinesas de lácteos em abril/maio caso tivessem ocorrido seriam um fator de alta. Como a produção da União Europeia e dos Estados Unidos, mesmo com a queda internacional dos preços não tem diminuído graças aos programas de subsídios destes países, a queda da demanda continua pressionando o mercado e “inchando” os estoques mundiais.
Nesta linha de raciocínio estão também às informações do relatório da consultoria italiana CLAL, especializada em lácteos. Sobre os chineses, eles notam que em março de 2016 houve uma importação de 47,6 mil toneladas de leite em pó integral, alta de 31% sobre igual mês de 2015. Já as compras de leite desnatado subiram 38% na mesma comparação, para 21,42 mil toneladas. Na opinião da consultoria, os Chineses aproveitaram os baixos preços para fazer estoques e não para mostrar que existirá uma retomada da demanda das importações. Reforçando esta análise, as conclusões da Consultoria Milk Point faz todo o sentido. Reiteram no seu relatório, que em janeiro deste ano, o país asiático havia importado 153 mil toneladas de leite em pó integral e desnatado. O volume foi 4,4 vezes maior que o comprado em dezembro de 2015 e 49% superior ao do mesmo mês de 2015. Mas, em fevereiro, os chinesas voltaram a sair do mercado, retornando em março e saindo novamente em abril e maio quando os preços esboçaram reação.

Para finalizar sobre o mercado internacional, conversando com todas as fontes eles foram enfáticos nas suas visões. Neste ambiente de oferta elevada e demanda desaquecidos, os preços internacionais do leite em pó só devem retornar aos níveis históricos – entre US$ 3 mil e US$ 3,2 mil – no fim deste ano ou início de 2017.

Pronaf contratou mais de R$ 18 bilhões do Plano Safra 2015/2016

O Pronaf já contratou R$ 18,4 bilhões e 1.426.250 contratos, nestes dez meses da safra 2015-2016. Este montante contratado representa 64% dos R$ 28,9 bilhões disponibilizado para a safra da agricultura familiar 2015-2016, bem como 13% dos R$ 144,4 bilhões operacionalizados no crédito rural – 3,75 pontos percentuais abaixo do executado na safra 2014-2015, na comparação com igual período.

Em termos nominais (sem descontar a inflação), a safra atual até abril de 2016 apresenta uma diferença a menos de R$ 2,18 bilhões, quando comparado com igual período da safra anterior (2014-2015) ou redução de 10,62%. Quando se compara a quantidade de contratos na safra atual com a anterior, observa-se decréscimo de 11,52%.

Apesar da redução de 11,19% na quantidade contratada nas operações de custeio, o valor contratado foi 4,26% superior aos dez meses da safra 2014-2015, sem descontar a inflação. A redução mais acentuada se observa nas operações de investimento, seja na quantidade (11,69%), seja no valor (22,68%).

Nas operações de crédito rural ao amparo do Pronaf, realizado por pessoas físicas, as mulheres foram responsáveis por 29,02% da quantidade de contratos e por 15,65% do valor contratado de julho de 2015 a abril de 2016.

Na comparação mensal com igual mês da safra anterior, a partir de fevereiro de 2016, o valor contratado apresentou resultado superior ao da safra anterior. Em fevereiro foi 2,68% maior, em março de 12% e agora em abril 1,38%. Cabe destacar que o investimento nesses três meses cresceu acima do observado em igual mês do ano anterior.


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