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LIVE: Pela vida das Mulheres, Resistiremos! Fora Bolsonaro!

Live sobre a resistência pela vida das mulheres, reforçando a programação da semana do 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres.
Participam a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) e a primeira mulher negra eleita vereadora de Curitiba, Carol Dartora (PT). A mediação será feita pela secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-RS, Ana Cruz.
 
 
“AS MÃOS QUE ALIMENTAM A NAÇÃO TÊM CONTORNO FEMININO

O Dia Internacional da Mulher só foi oficializado em 1970, pela ONU, porém muito antes iniciou a luta das mulheres por condições igualitárias as dos homens. Onde hoje não se remete apenas ao salário, mas também a violência, machismo, divisão de tarefas cotidianas e profissões e cargos representativos.
Esta data começou a ser comemorada à partir de resultados de lutas através de organizações, diálogos, manifestações, greves e várias organizações das mulheres em busca de melhorias ou apenas condições de trabalho para sustentar os filhos. Mesmo com tamanha desigualdade e repressão da época.
Um fato que podemos citar é 25 de março de 1911, onde 125 mulheres e 21 homens morreram durante um incêndio em Nova York, em uma fábrica têxtil. Na época as fábricas tinham péssimas condições de instalações, além de ter o hábito de fechar os funcionários em horário de expediente, nas fábricas para evitar diálogos entre os operários e movimentos de greve por melhores condições de trabalho.
Está data foi construída com vários atos e movimentos realizados pelas corajosas mulheres da época, que chegaram a influenciar nesta data, como o II Congresso Internacional de mulheres Socialistas, evento que teve proposição de uma data internacional comemorativa a luta das mulheres. Pensada pelas feministas e grupos revolucionários de esquerda, onde defendiam direitos trabalhistas para as mulheres. Onde reivindicavam que o movimento operário deveria defender a causa da mulheres. Os movimentos aconteciam em vários locais, também nos Estados Unidos e na Europa.
Com o clima revolucionário que ocorreu em 1917, na Rússia, as mulheres do setor de tecelagem entraram em greve no dia 8 de março, considerada agenda revolucionária, ficando assim marcada esta data como grande feito das mulheres.
Porem após muita luta e organização o Dia Internacional da Mulher vem para comemorar e trazer a reflexão a criação desta data tão importante.
Aos poucos foi tomando corpo está comemoração, e a partir dos anos 1960, a comemoração já era tradicional. Porem em 1975 a ONU oficializou declarando ano Internacional das Mulheres, com objetivo de provocar o debate sobre desigualdades e discriminação de gênero no mundo.
Podemos relacionar está data as conquistas das mulheres Agricultoras Familiares, como aposentadoria e aposentar-se cinco anos antes que os homens. Salário maternidade que no início foi de meio salário-mínimo e após muita luta passou a ser de um salário, no ano de 1988 (com a Constituição Federal), não bastava estar na lei, as mulheres precisaram ir pra rua lutar para que o governo executa-se o pagamento. Aos poucos lutar para conseguir acessar o crédito, este só era possível quando na falta do marido. Estes atos até hoje infelizmente muitas vezes precisamos lembrar autoridades ou entidades que tanto o homem como a mulher tem direito a acessar o credito, ser sócia da Cooperativa...ser reconhecida como titular na DAP, ser reconhecida como quem tem condições de tocar a propriedade e não é mera ajudante nos trabalhos agrícolas.
E com poucos avanços, as profissões como cuidado e ensino ainda são tarefas executadas pelas mulheres. Com exceção dos cargos de chefia, onde os salários são maiores. Podemos comentar também entre as mulheres que necessitam trabalhar para compor a renda da família o acúmulo de tarefas entre trabalhar fora e continuar com toda a responsáveis pelo ambiente familiar como filhos, alimentação, roupas...
Com a pandemia os trabalhos essenciais como o cuidado seja em casa como nos espaços de saúde a maioria estão sob responsabilidade das mulheres. Cuidando e garantindo as condições que o ser humano necessita. Também a produção de alimentos que chega à mesa dos brasileiros, trabalho essencial neste período de pandemia é produzido pelas mulheres.
Estes são alguns pontos para diálogo nesta data tão importante, em um ano com tantas reflexões; O dia internacional da mulher 2021.
A Federação dos Trabalhadoras na Agricultura Familiar do RS deseja um feliz dia da mulher de muita luta e resistência!
CUT-RS debate: O caos na saúde e falta da vacina

Já são 257 mil vidas perdidas no Brasil em decorrência da Covid-19. No RS já foram registradas mais de 12 mil mortes. O estado vive seu pior momento desde o início da pandemia, com aumento da contaminação, recordes nas internações da rede hospitalar, ocupação recorde das UTIs e elevação das mortes. Falta vacina e não há testagem em massa para combater a pandemia.
A CUT-RS realiza, nesta quinta-feira (4), às 19h, uma live sobre o caos na saúde e a falta da vacina no Rio Grande do Sul e no Brasil. Participarão o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Fernando Pigatto, a médica infectologista e diretora do Sindicado dos Médicos de São Paulo, Juliana Salles, e o presidente do Sindisaúde-RS, Júlio César Jesien. A mediação será feita pelo presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci.
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Doença desconhecida pelos agricultores ataca variedade de milho transgênico

Ainda não se sabe exatamente o que é, mas já se sabe que o prejuízo é grande. Fetraf busca formas de ressarcimento

 

Agricultores familiares da região do Alto Uruguai, no Rio Grande do Sul, em municípios ao redor da cidade de Erechim, perceberam uma estranha doença que acomete o milho já na formação da espiga. Os grãos, ao invés de se formarem adequadamente, ficam escuros e apodrecem. O problema já foi identificado também em Santa Catarina e no Paraná. Alguns citam perdas superiores a 20% de suas lavouras, o que causa um prejuízo significativo. Outros falam em até 60% de perdas, além da péssima qualidade dos grãos ou da silagem resultante das plantas atingidas.

A Rede Técnica Cooperativa (RTC) da Central das Cooperativas Gaúchas de Leite (CCGL) – uma das principais empresas multiplicadoras de sementes de milho no RS, as chamadas “sementeiras” –, emitiu “Alerta” (clique aqui para acessar) e orientação para os produtores e assistentes técnicos dizendo tratar-se de “enfezamento”, que seria causado por vírus, bactérias e fungos transmitidos pela cigarrinha, um inseto comum na cultura do milho. Diz ainda o “Alerta” da empresa que os sintomas aparecem após o florescimento, provocando “morte prematura da planta, redução do tamanho da espiga, enchimento incompleto dos grãos, morte de espigas, chochamento dos grãos e tombamento das plantas”, o que seria ocasionado por “fungos oportunistas Pythum e Fusarium”. A empresa recomenda intervenção química ou biológica com intervalos de 5 a 7 dias. Reconhece, porém, que não há o que fazer depois da área infestada.

Quando os agricultores percebem, há pouco a fazer. Uma das intervenções químicas recomendadas é através de inseticidas a base de “neonicotinóides”, um dos agrovenenos já identificado como responsável pelo extermínio de abelhas e, por isto, já proibido em muitos países.

Hélio Mecca, agricultor e dirigente do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), de Chopinzinho (PR), relata que surge “uma doença no miolo do pé, cai e não dá nada, o que se colhe é um milho de péssima qualidade e perde muita produtividade”. O dirigente sindical José Valério Cavalli, Secretário Geral do Sindicato Unificado da Agricultura Familiar do Alto Uruguai (Sutraf/AU), de Itatiba do Sul (Rio Grande do Sul), informa que “na formação da espiga, quando está se formando o grão, o problema aparece e o pé morre”. Outros relatos de agricultores falam em plantas fracas, pouco desenvolvidas e com espigas mal formadas, com mofo, grãos chochos ou podres. “Além da estiagem e da falta de apoio do governo, agora mais este problema”, desabafa Mecca.

De acordo com informações que chegam através de sindicatos, lideranças de movimentos sociais e técnicos de campo, as variedades mais afetadas são o Dekalb 230, o Agroeste 1666, o Agroceres 9025, Morgan 699 e algumas variedades da Pionner. Todas transgênicos, com os transgenes Bt e RR, precoces e super precoces. “Estas variedades foram apresentadas aos agricultores como 'top de linha' pelas empresas e o preço cobrado pelas sementes foi muito elevado”, afirma o sindicalista José Cavalli.

Não há informação de nenhuma semente de variedade de milho crioulo afetada. Aparentemente, o fenômeno é conhecido e comum: presença do inseto chamado cigarrinha (Dalbulus maidis), infectando e transmitindo vírus, bactérias e fungos. O que não se sabe ainda, com segurança, é quais são estes microorganismos e porque a agressividade com que se comportam, já que este tipo de impacto sobre a produção é novo, não é comum, entre os agricultores. Também impressiona a velocidade com que se propaga e a baixa capacidade imunológica apresentada pelas variedades afetadas em contraposição com as variedades crioulas e não transgênicas.

Segundo o professor Rubens Nodari, da Universidade Federal de Santa Catarina, doutor em Genética pela Universidade da Califórnia, “este é um fenômeno que deve ser estudado com atenção. A ocorrência cada vez mais frequente de sintomas que aparecem antes da maturação, como secamento, quebra de plantas e podridão na espiga, parte deles atribuídos ao enfezamento no milho, é mais um alerta de problemas que emergem do sistema agrícola usado na produção de milho.

Há uns 20 anos atrás, muitos cientistas não conheciam e nem tinham como prever os possíveis efeitos da transgenia em plantas. No entanto, vários afirmaram que os piores problemas seriam “os imprevistos”. Aqueles que ocorrem em plantas transgênicas e não nas não transgênicas e não tinham sido previstos. Estes problemas não serão os últimos, mas os danos certamente recaem sobre o produtor. Assim espera-se que os pesquisadores, em particular os fitopatologistas, contribuam para a avaliação holística do que está acontecendo. Cabe uma de tantas perguntas: quanto o sistema de cultivo utilizado e a transgenia contribuem para os problemas citados?”

 doenca desconhecida

Agricultores que já foram castigados pela seca, agora têm prejuízos por conta da doença em seu milho / FETRAF

Um fato chama atenção: variedades de milho crioulo não apresentam sintomas da doença

De acordo com o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas (RS), Irajá Antunes, doutor em Genética e Melhoramento de Plantas pela Universidade de São Paulo (USP), “quando se trata de germoplasma crioulo, mais precisamente, de variedades crioulas, em princípio, por sua intrínseca variabilidade genética, as mesmas apresentam uma significativa capacidade de tolerância frente a fenômenos naturais que possam ser detrimentais às mesmas (maior resiliência), dentre os quais, a ocorrência de doenças, como no presente caso”. Antunes explica ainda que “tal resiliência é fruto dos processos de seleção natural que ocorrem a partir das interações dessas populações de plantas com os ambientes onde são cultivadas, interações estas que são permanentes e dinâmicas”.

Luís Dalla Costa, dirigente do MAB e da Via Campesina, que vem acompanhando a situação, entende que as “empresas de sementes são as responsáveis por vender como excelentes, sementes que causam enormes perdas aos agricultores e devem indenizá-los por estes prejuízos”.

Rui Valença, Coordenador Geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar – Fetraf/RS, que tem acompanhado de perto a situação, entende que o grande problema é o modelo de produção do agronegócio que é imposto aos agricultores, uma vez que “todo ano surgem novas doenças, novas pragas, novas plantas invasoras resistentes”. Valença aponta que há um desequilíbrio causado pelos venenos, chamados equivocadamente de “remédios”. Para ele, “as plantas transgênicas têm sua estrutura alterada, pouca resistência, o que torna fácil a infestação de pragas, abre a porta de entrada para inúmeras doenças”. Valença, que afirma ainda que é “preciso fazer um grande debate sobre que tipo de produção de alimentos a sociedade quer”, informa que a Fetraf está solicitando análise de laboratório e identificando a forma de responsabilizar as empresas para que os agricultores sejam ressarcidos em seus prejuízos.

Josuan Schiavon, engenheiro agrônomo, mestre em Produção Orgânica e Agroecologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), defende o uso das sementes de milho crioulo e varietais como a principal alternativa para os pequenos agricultores. “O principal problema da produção dos crioulos e varietais, que é a lagarta do cartucho, tem várias soluções através do controle biológico, como por exemplo, o uso do Bacillus thuringiensis ou a vespinha Trichograma. “A qualidade nutricional de um milho crioulo é melhor, o alimento que vem dele é saudável, o custo da semente é menor e o agricultor pode guardar para o ano seguinte”, aponta Schiavon, acrescentando ainda que “a produtividade, como temos constatado, pode ser alta, se assemelhando a alguns transgênicos”. Para ele, levando em conta os prejuízos que estão aparecendo agora, “o milho crioulo produz mais, tem um custo benefício melhor, já que tem alta qualidade e baixo custo de produção”.

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Edição: Katia Marko

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