95% dos produtores de leite no estado são agricultores familiares e quase a metade dos que comercializam,  produzem até 100 litros/dia

Por Assessoria de Imprensa
Publicada em 29 de maio de 2015


O Instituto Gaúcho do Leite (IGL) apresentou nesta sexta-feira (29), na Expoleite, em Esteio, o resultado do Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite no Rio Grande do Sul, o qual teve como uma das entidades parceiras, a Fetraf-RS.

O estudo apontou que o número de produtores que de alguma forma trabalham com leite no estado do Rio Grande do Sul é de 198.817 sendo que a produção leiteira está presente em 94% dos municípios gaúchos. A área média de terra dos agricultores que comercializam para indústrias, cooperativas, queijarias ou que processam a produção em agroindústria própria é de 20 hectares. De acordo com os dados levantados na Radiografia da cadeia leiteira, é possível afirmar que 95% dos produtores são agricultores familiares.

A pesquisa indicou que 101.361 produtores (51,0%) produzem o leite apenas para consumo familiar e 84.312 (42,4) deles vendem leite cru para indústrias, cooperativas ou queijarias. Ainda, há 224 produtores que processam a bebida em agroindústria própria. Do total daqueles que comercializam ou processam, 38.280 produzem até 100 litros de leite ao dia, o que corresponde a 45,3% da cadeia leiteira.  “Essa realidade é uma prova de que são necessárias ações urgentes, por parte dos governos, para a inclusão dos pequenos produtores na cadeia do leite pois eles representam quase metade dela e, se nada for feito, teremos quase 40 mil famílias excluídas e vulneráveis ao êxodo rural”, destaca a coordenadora da Fetraf-RS, Cleonice Back.

O volume de leite produzido no estado é de 4,6 bilhões de litros por ano, o que equivale a uma média de 12,62 milhões litros/dia. Já, a capacidade de processamento da bebida no estado, considerando as 254 indústrias de diferentes portes apontadas na pesquisa, é de 18,5 milhões de litros ao dia. Isso significa que o Rio Grande do Sul tem um potencial de processamento maior que a demanda existente.

O tamanho do rebanho leiteiro gaúcho é de 1.427.730 vacas e uma média de 14 matrizes por propriedade sendo que predominam as raças holandesa (60%) e Jersey (16%).  O censo indicou que 77% dos produtores realizam inseminação artificial no rebanho e 80% utilizam silagem para o trato animal. O resfriamento do leite é realidade em 72% das propriedades. As regiões com maior número de produtores no estado são: Santa Rosa, com 14,9% seguida de Ijuí, com 13,3% e Passo Fundo, 12,2%.

Falta de Mão de Obra e Sucessão Rural são obstáculos para a produção leiteira

Ao mesmo tempo que o estudo evidencia um crescimento na produção de leite no estado, mostra sérias dificuldades que permeiam e até ameaçam a cadeia leiteira gaúcha. O principal vilão do setor é a falta de mão-de-obra que representa (46%) dos apontamentos, seguida pela ausência de sucessão familiar nas propriedades (42%).  O acesso ao crédito, o preço de leite, o desinteresse das indústrias na compra e o tamanho da área de terra também foram destacados como obstáculos para a produção leiteira.

Para o secretário geral da Fetraf-RS, Adilso Baroni, os dados reforçam a posição defendida pela federação acerca da urgência de ser criada uma política nacional e estadual para a produção leiteira, além de readequar as formas de remuneração do produto. “Não é aceitável que se pague pela quantidade de produção e não se olhe para a qualidade. É preciso remunerar o produtor pela qualidade do leite. Esta lógica atual, que visualiza o volume produzido, prejudica e excluí o agricultor familiar”, lamentou. O dirigente frisou também, que é preciso rever o sistema de pagamento aos transportadores, remunerando-os por quilômetro rodado e não por quantidade de litros transportados.

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